Doenças da infância?

Ao falar sobre as doenças “características” da infância, devemos atentar para a relação com o desenvolvimento psicoemocional da criança, nos afastando assim do olhar mecanicista ainda muito presente na área da saúde (embora já esteja ocorrendo o processo de transformação para o paradigma humanista que já considera unidade entre o funcionamento mente-corpo).

As cólicas, febres, otite, catapora, doenças nas vias respiratórias, etc., desequilíbrios tão comuns na infância, correspondem ao processo de desenvolvimento e adaptação do ser em seu meio ambiente. Podemos citar como base para esta afirmação a importante e respeitada contribuição do  médico e filósofo francês Georges Canguilhem,  que em suas obras, coloca-se contra a visão reducionista, mecanicista e técnica da medicina em relação ao organismo. Ele defende a possibilidade de considerar o organismo na relação direta com o ambiente que está inserido contando com suas particularidades e complexidade. Canguilhem considera a vida normativa, na medida em que esta institui normas, e as normas orgânicas humanas variam de acordo com a cultura pela relação essencial entre psique-soma.

Segundo Canguilhem, o estado de doença constitui uma norma de vida inferior, incapaz de se transformar em outra norma de vida, e o doente seria aquele que teria perdido a capacidade normativa (ou de transformação) por não poder mais instituir normas diferentes sob novas condições. Esta descrição se aproxima do conceito elaborado por Reich de couraça, que é o resultado de um padrão rígido de comportamento que limita e impede a expressão genuína de pensamentos, sentimentos e sensações.

Portanto, para entender o aparecimento dessas doenças deve-se atentar para o ambiente em que a criança vive, sua história de vida e relação/contato com os pais e/ou seus cuidadores dentro de uma proposta interdisciplinar, onde o médico, o psicólogo e outros profissionas da saúde compartilham seu conhecimento a fim de oferecer um atendimento integral. A Orgonomia (campo vasto que compreende medicina, psicologia, meteorologia, biologia, etc.) propõe esse olhar único e diferenciado em busca do auxílio à saúde e bem estar da criança e o meio onde vive, busca compreender as respostas de cada criança para certas situações, entendendo o enquadre cultural das relações em nossa sociedade.

Psicologia Pré-natal – David Chamberlain

Introdução à vida antes do nascimento

Através de várias “janelas” de observação, nós agora podemos ver – pela primeira vez na história da humanidade- o que realmente acontece no útero. Temos boas notícias e más notícias.

Não podemos mais pensar que a placenta protege o bebê de qualquer mal que ocorre no corpo da mãe, ou que o corpo da mãe pode proteger o bebê de coisas ruins que acontecem em seu mundo. Mãe e bebê enfrentam juntos os perigos do ar, água e terra comprometidos pelos resíduos químicos da química e física modernas. Os pais são talvez os últimos a aprender (e seus filhos os primeiros a sofrer) sobre esta trágica realidade da vida moderna.

A poluição vem de muitas fontes, a começar pelo ambiente físico em torno da mãe e do pai. Numerosos produtos químicos livres no ambiente os alcançam no local de trabalho, na garagem ou nos produtos de limpeza da cozinha. Solventes, metais, pesticidas, preservativos, fumaças (gases), e várias formas de radiação são capazes de interferir na reprodução. A poluição química também chega até nós pelo atendimento médico, através de drogas que são receitadas e que podem colocar em risco o bem-estar do bebê na barriga. Alguns medicamentos, como a aspirina, são perigosos no parto, assim como alguns anestésicos poderosos. Não muito tempo atrás, um sabão antibacteriano usado largamente em hospitais e dispostos em áreas públicas foi descoberto – após anos de uso- como sendo ‘neurotóxico’.

Os pais também podem ser uma fonte de contaminação e danos ao bebê na barriga em conseqüência de seus hábitos pessoais e escolha de estilo de vida. Drogas consideradas inofensivas a adultos podem ser prejudiciais aos bebês por que eles não são capazes de lidar com estes agentes químicos em doses destinadas a adultos. A nicotina, a cafeína e a aspirina, substâncias presentes e comuns na vida adulta, podem afetar o curso do crescimento e desenvolvimento dos bebês. Os efeitos danosos do álcool são conhecidos há séculos e pesquisas mais recentes (2005) advertem que nenhum nível de álcool é seguro para a gestante. Todas estas descobertas revelam a profunda importância de começar a pensar e começar a ser pai e mãe não a partir do nascimento do bebê, mas antes mesmo da concepção, quando é possível evitar uma série de sérios problemas.

Uma razão adicional para que os pais comecem a exercer esta função já na concepção, é a descoberta de que os bebês no útero se desenvolvem mais rapidamente do que era previamente considerado possível.

A partir do segundo mês de gestação, experimentos e observações revelam um bebê ativo, com um sistema sensorial que se desenvolve rapidamente e permite uma excelente sensibilidade e responsividade. Muito antes do desenvolvimento de avançadas estruturas cerebrais, os bebês são vistos interagindo um com o outro e aprendendo com a experiência. Eles parecem especialmente interessados no vasto ambiente que é provido pelo pai e pela mãe, e reagem a vozes individuais, histórias, música, e a simples jogos de interação com os pais. A qualidade do ambiente uterino é determinada principalmente pelos pais.

As oportunidades dos pais de estabelecerem um relacionamento com o bebê no útero são significativas e extraordinárias. Isto contrasta fortemente com a visão anterior de que os bebês no útero não tinham capacidade para interagir, lembrar, aprender, ou dar significado a suas experiências.

Apenas uma década atrás, os médicos costumavam dizer aos pais que conversar com o bebê na barriga era inútil e irreal. Agora há uma enormidade de evidências sobre memória e aprendizagem no útero e sobre uma comunicação precoce, bem desenvolvida, anterior ao estágio da linguagem. Estas habilidades do bebê na barriga sustentam os sucessos relatados em uma série de experimentos científicos em estimulação pré-natal e vínculo. Elas também são a base de histórias pessoais ocasionalmente compartilhadas por crianças e adultos sobre suas experiências anteriores ao nascimento.

Tradução do texto escrito por David Chamberlain, Ph.D – é um psicólogo pioneiro na Psicologia Pré e Perinatal e um dos fundadores da APPAH / The Association for Prenatal and Perinatal Psychology & Health.

FONTE: http://www.birthpsychology.com/lifebefore/index.html

Ciência do início da vida

Sobre a educação das crianças – Gaiarsa

Parto natural domiciliar: um depoimento

10-02-2011

Parto domiciliar

Mariana, filha de Ana Maria Braga, conta detalhes desta experiência

Dia 3 de fevereiro foi um dia especial. O dia do nascimento de Joana, filha de Mariana e Paschoal, neta de Ana Maria.

O nascimento de Joana foi motivo de matérias nos mais diversos veículos de comunicação e gerou muita curiosidade, afinal, Mariana decidiu ter o parto em casa.

Mas como é um parto domiciliar e no que ele difere dos outros? Quem estava lá no momento do nascimento de Joana?

Com exclusividade, Mariana contou tudo isso para o site, inclusive sobre a escolha do nome, os cuidados que envolvem o recém-nascido e a preparação para um momento tão importante como o parto.

Site Ana Maria Braga – Como você escolheu o nome ‘Joana’?
Mariana – Joana é um nome que sempre gostei muito, que sempre chamou a minha atenção, mas não tinha um nome que eu falava que daria para minha filha quando tivesse. Durante a gravidez tinha vários nomes em vista, mas coincidentemente comecei a ganhar várias coisas de Joaninha… Minha mãe me deu uma joaninha muito legal e minha avó me deu um timer de geladeira de joaninha, e pousavam várias joaninhas em mim durante a gravidez. Perguntamos um dia pro Davi, meu enteado, como ia chamar a irmãzinha dele e ele, sem saber de nada disso, disse que ia se chamar Joana, que ele tinha contado para um amiguinho da sala dele que a irmã dele se chamaria Joana.
Acho que cada criança tem o nome dela e temos que ter a intuição de perceber qual é este nome. E ela é Joana total. E eu olho pra ela e acho ela com cara de Joana…

Site Ana Maria Braga – Desde o início da gestação sabia que queria um parto domiciliar? Como se preparou para ele?
Mariana – Na realidade não foi desde o início da gestação, porque não tinha idéia dos tipos de parto. Sabia que queria um parto normal, mas não sabia como conseguir isso e não sabia o que era um parto natural, de fato. Através de minha amiga e doula Marcelly descobri o parto natural e comecei a entender e participar dos encontros de gestantes, listas de discussão.
Eu tinha um ginecologista desde adolescente que ia a consultas periódicas, e mesmo ele sendo meu médico resolvi conhecer um outro médico ativista do parto natural e minha identificação foi imediata. Foi assim que o rumo das coisas mudou e continuei as consultas de pré-natal com ele. Mesmo com o pré-natal com este outro médico, decidi que teria duas parteiras. Lia relatos de parto e sentia que queria aquilo pra mim: um parto domiciliar. Por conta da gestação, acabei adquirindo hábitos mais saudáveis. Sempre fui atlética, mas não tinha uma regularidade de exercícios definida. Foi quando comecei a me dedicar a ioga, com a própria doula, que já me preparava para o parto, com exercícios para o períneo, controle da respiração, e uma consciência corporal maior.

Site Ana Maria Braga – A afinidade entre você, as parteiras e a doula foi essencial para que tudo corresse bem?
Mariana – Foi, tanto que foi imediata a afinidade. Assim que fiz minha primeira consulta com as parteiras, sabia que o parto seria realizado com a ajuda delas.

Site Ana Maria Braga – Quais as vantagens que você apontaria no parto domiciliar?
Mariana – A principal delas é paz, eu acho… Poder passar por este ritual na sua morada, na sua cama, estar totalmente segura em relação ao ambiente, cercada das pessoas escolhidas por você. Eu acho que o ambiente hospitalar dificulta o trabalho de parto. O ambiente faz toda a diferença para o trabalho de parto evoluir e em hospitais a probabilidade de se acabar em uma cesárea desnecessária é altíssima, porque os profissionais não tem a vivência do parto normal, e não respeitam o tempo da mulher, querem acelerar o processo com uma série de intervenções desnecessárias que podem também culminar com uma cesárea. Além disso, pesquisei que a analgesia e os outros medicamentos que são administrados num hospital acabam indo para a corrente sanguínea do bebê, interferindo em suas primeiras horas de vida.

Site Ana Maria Braga – Na hora do nascimento, quem estava presente com você, em casa?
Mariana – Desde sempre, meu marido, meu enteado Davi e o irmão dele, Kaique, a minha doula, Marcelly, e as parteiras Márcia Koiffman e Priscila Colacciopo.

Site Ana Maria Braga – Como é o trabalho das parteiras e da doula?
Mariana – Tanto da doula como das parteiras recebi muita massagem na lombar, indicações de posturas para quando viessem as contrações, além de um acompanhamento emocional e psicológico que era quase de mãe. Além disso, recebi, no final do trabalho de parto, acupuntura e moxabustão para aliviar e transcender as dores.

Site Ana Maria Braga – Como foi a emoção do primeiro contato com a Joana?
Mariana – Nossa, quando nasce é uma explosão de felicidade. Você percebe quanta vida a gente gera dentro da gente. Foi inexplicável e ainda é… É muito indescritível ser mãe.

Site Ana Maria Braga – Para “matar” a curiosidade de todos, como você descreveria a sua filha?
Mariana – Ela é uma anja, né? Às vezes eu olho no olho dela e eu percebo que é uma alma antiga que já sabe das coisas, me dá uma impressão que eu tenho tanto a aprender com ela, é muito mágico. Parece que nasce sabendo das coisas todas e aí que vai esquecendo quando cresce…

Site Ana Maria Braga – Como tem sido os cuidados com a Joana?
Mariana – Eu me descobri uma ótima mãe, sabe, porque tenho achado muito natural tudo. A amamentação é uma coisa fortíssima, que nos mostra o que é cuidar. É o melhor cuidado que a gente pode fazer e esse. Dar o peito pro nosso filho, alimentá-lo, sem restrição, usando a intuição, é uma coisa simples. E o parto natural ajudou muito nesse processo. Imediatamente após o parto eu já estava apta a dedicar todos os cuidados para a minha bebê. Carregar a neném, levantar, sentar… Acho que essa é uma vantagem que outros tipos de parto acabam não dando para a mulher.

Site Ana Maria Braga – Nos cuidados com ela, algo lhe surpreendeu ou foi diferente do que você imaginava que seria?
Mariana – Outra coisa que optei foi usar fraldas de pano. Eu tenho as achado surpreendentes. Ela traz outra dimensão do cuidado, da suavidade, do carinho que é cuidar da fralda do neném, e além da questão ecológica que não precisa nem falar. Em média uma criança de dois anos consumiu até ali 5.500 fraldas. Acho que as pessoas deveriam ter essa consciência dos danos que isso vai fazer para o planeta. Pretendo amamentá-la muito. É muito bom saber que até os seis meses de idade seu filho só precisa do seu peito e mais nada. Isso deve ser visto como uma dádiva, uma benção. A sensação de amamentar é indescritível.

Fonte: http://anamariabraga.globo.com/home/canais/canais-saude.php

Thomas Verny: as descobertas da ciência sobre a vida do bebê na gestação

 

Uma entrevista com Thomas Verny, psiquiatra canadense, em divulgação de seu livro Bebês do Amanhã: Arte e Ciência de Ser Pais, da Editora Millennium, foi feita pela revista Época. O especialista em Psicologia pré e perinatal relata as últimas descobertas da Ciência sobre a vida do bebê durante a gestação.

Para Verny, tratar da criança desde a gestação contribui para uma sociedade mais saudável e economiza os recursos do sistema de saúde. ”Garantir que crianças sejam concebidas e nutridas com amor é assegurar um mundo melhor”, acredita.

ÉPOCA – Qual é a mensagem principal de seu novo livro?

Verny – Tudo o que está no livro é baseado em 20 anos de pesquisas. Essencialmente, o que eu digo nesse livro, e que eu não poderia dizer há 20 anos, porque não tínhamos as pesquisas neurológicas de hoje, é que tudo o que a criança experimenta desde a concepção constrói seu corpo. Isso inclui o cérebro. Só é possível construir um ”bom” cérebro quando está conectado com outro ser humano. É muito importante para os pais começarem a se relacionar com os filhos desde a concepção. A arquitetura do cérebro depende dos estímulos. ”Tudo o que o bebê experimenta desde a concepção constrói seu corpo, inclusive o cérebro. A arquitetura dele depende dos estímulos. A conexão com a mãe é fundamental para a construção do ‘bom’ cérebro”.

Veja esta entrevista na íntegra clicando aqui.

Sobre a importância dos cuidados maternos

Ontem, justamente quando postei um texto sobre “A saúde dos bebês”, recebi um email enviado pela Dr. Eleanor Luzes (Ciência do Início da Vida) com um vídeo anexado de uma apresentação  no Parlamento inglês do Lord Northbourne, que por 2 horas citou vasta  documentação científica sobre a importância dos cuidados maternos para o desenvolvimento de um adulto sadio física e mentalmente.

 Para quem se interessar clique aqui e assista. (lembrando que o vídeo está em inglês)

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