Psicologia Pré-natal – David Chamberlain

Introdução à vida antes do nascimento

Através de várias “janelas” de observação, nós agora podemos ver – pela primeira vez na história da humanidade- o que realmente acontece no útero. Temos boas notícias e más notícias.

Não podemos mais pensar que a placenta protege o bebê de qualquer mal que ocorre no corpo da mãe, ou que o corpo da mãe pode proteger o bebê de coisas ruins que acontecem em seu mundo. Mãe e bebê enfrentam juntos os perigos do ar, água e terra comprometidos pelos resíduos químicos da química e física modernas. Os pais são talvez os últimos a aprender (e seus filhos os primeiros a sofrer) sobre esta trágica realidade da vida moderna.

A poluição vem de muitas fontes, a começar pelo ambiente físico em torno da mãe e do pai. Numerosos produtos químicos livres no ambiente os alcançam no local de trabalho, na garagem ou nos produtos de limpeza da cozinha. Solventes, metais, pesticidas, preservativos, fumaças (gases), e várias formas de radiação são capazes de interferir na reprodução. A poluição química também chega até nós pelo atendimento médico, através de drogas que são receitadas e que podem colocar em risco o bem-estar do bebê na barriga. Alguns medicamentos, como a aspirina, são perigosos no parto, assim como alguns anestésicos poderosos. Não muito tempo atrás, um sabão antibacteriano usado largamente em hospitais e dispostos em áreas públicas foi descoberto – após anos de uso- como sendo ‘neurotóxico’.

Os pais também podem ser uma fonte de contaminação e danos ao bebê na barriga em conseqüência de seus hábitos pessoais e escolha de estilo de vida. Drogas consideradas inofensivas a adultos podem ser prejudiciais aos bebês por que eles não são capazes de lidar com estes agentes químicos em doses destinadas a adultos. A nicotina, a cafeína e a aspirina, substâncias presentes e comuns na vida adulta, podem afetar o curso do crescimento e desenvolvimento dos bebês. Os efeitos danosos do álcool são conhecidos há séculos e pesquisas mais recentes (2005) advertem que nenhum nível de álcool é seguro para a gestante. Todas estas descobertas revelam a profunda importância de começar a pensar e começar a ser pai e mãe não a partir do nascimento do bebê, mas antes mesmo da concepção, quando é possível evitar uma série de sérios problemas.

Uma razão adicional para que os pais comecem a exercer esta função já na concepção, é a descoberta de que os bebês no útero se desenvolvem mais rapidamente do que era previamente considerado possível.

A partir do segundo mês de gestação, experimentos e observações revelam um bebê ativo, com um sistema sensorial que se desenvolve rapidamente e permite uma excelente sensibilidade e responsividade. Muito antes do desenvolvimento de avançadas estruturas cerebrais, os bebês são vistos interagindo um com o outro e aprendendo com a experiência. Eles parecem especialmente interessados no vasto ambiente que é provido pelo pai e pela mãe, e reagem a vozes individuais, histórias, música, e a simples jogos de interação com os pais. A qualidade do ambiente uterino é determinada principalmente pelos pais.

As oportunidades dos pais de estabelecerem um relacionamento com o bebê no útero são significativas e extraordinárias. Isto contrasta fortemente com a visão anterior de que os bebês no útero não tinham capacidade para interagir, lembrar, aprender, ou dar significado a suas experiências.

Apenas uma década atrás, os médicos costumavam dizer aos pais que conversar com o bebê na barriga era inútil e irreal. Agora há uma enormidade de evidências sobre memória e aprendizagem no útero e sobre uma comunicação precoce, bem desenvolvida, anterior ao estágio da linguagem. Estas habilidades do bebê na barriga sustentam os sucessos relatados em uma série de experimentos científicos em estimulação pré-natal e vínculo. Elas também são a base de histórias pessoais ocasionalmente compartilhadas por crianças e adultos sobre suas experiências anteriores ao nascimento.

Tradução do texto escrito por David Chamberlain, Ph.D – é um psicólogo pioneiro na Psicologia Pré e Perinatal e um dos fundadores da APPAH / The Association for Prenatal and Perinatal Psychology & Health.

FONTE: http://www.birthpsychology.com/lifebefore/index.html

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Maria Elisangela
    mar 02, 2011 @ 18:29:25

    Olá!

    Gostei bastante do blog, muito interessante.
    Parabéns!!

    Abraço,

    Maria Elisangela
    http://www.maternarvida.com.br
    http://maternarvida.blogspot.com/

    Responder

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