Infância e Paz – relato

Bem, estou devendo um comentário sobre o evento de Brasília Infância e Paz, então aqui está.

Em primeiro lugar coloco a grande satisfação que tive em participar de um encontro cujo tema engloba algo que é tão visceral pra mim como o conhecimento sobre o início da vida e reconhecimento de sua importância para a vida futura e para a sociedade de modo geral.

Foram apresentadas iniciativas de sucesso na promoção da saúde da gestante e do bebê, como foi o caso da cidade de Canela (RS); A semana do bebê e a Primeira Infância Melhor. As experiências de sucesso no atendimento à primeira infância na França. Falou-se do projeto cegonha e seus princípios norteadores do atendimento à gestante. A importância da família e seu apoio ao longo da gestação para a saúde da mulher e do bebê. Ser mãe na adolescência. Houve uma vibrante apresentação sobre o cuidado com os bebês acompanhado de trechos do filme “O bebê é uma pessoa”; fantástico! etc.etc. Tantas apresentações interessantíssimas que não caberia aqui descrever, somente estando presente para compreender a dimensão das discussões.

Bem, pra mim, psicóloga em início de carreira, foi um banho extra de segurança e confiança no trabalho que acredito e que escolhi realizar com as gestantes, suas famílias e seus bebês. O que antes eu vivia como quase que um trabalho solitário na psicologia, hoje encontro eco nos diversos profissionais que lá encontrei (psicólogos, médicos, assistentes sociais, professores, políticos, etc.) de diversos lugares do Brasil.

Apenas um porém na minha opinião, o tema era “A mulher grávida, o bebê e a primeira infância na construção da saúde mental” se notarem há um pulo da mulher grávida para o bebê, o PARTO, a forma como se pare e como se nasce não entrou em discussão. Deixei como sugestão para a próxima semana, o debate sobre a assistência ao parto e nascimento, problematizando a realidade atual deste quadro marcada pela violência contra a mulher e o bebê.

Resta aguardar a Semana do ano que vem…

Para uma vida bem vinda!

Papo de Mãe – Intercorrências na gestação (vídeos 1, 2 e 3)

Confira os vídeos do programa em que participei. Apesar dos cortes da edição, deu pra passar o recado 😉

Orgonomy UK – CORE

Compartilho aqui a página sobre gestação e parto do site do meu querido mestre Peter Jones, orgonomista e parteiro.

Acesse aqui o site: CORE

Um pouco sobre a realidade dos partos no Brasil

Uma amiga me enviou esta reportagem na TV do Espírito Santo e acho que vale a pena compartilhar.

Cesariana representa 43% dos partos realizados pelo SUS no Brasil

Conheça um casal que, no sétimo mês de gravidez, tem dificuldades em achar um médico que queira fazer um parto normal.

“O que era pra ser uma alternativa, virou praticamente regra: é por cesariana que nasce a maioria dos bebês no país.”

E quem vai explicar direitinho quem pode e quem não pode fazer parto normal é o doutor Luiz Alberto Sobral, que é médico do Hospital das Clínicas e professor da Ufes.

CLIQUE AQUI  para assistir a entrevista em vídeo com o médico citado e a reportagem na íntegra.

A cesariana já representa 43% dos partos realizados no Brasil no setor público e no privado. Nos planos de saúde, esse percentual é ainda maior, chegando a 80%. já no Sistema Único de Saúde, as cesáreas somam 26% do total de partos. O parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com a recomendação da organização mundial da saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos.

Há dois anos o Ministério da Saúde lançou a campanha de incentivo ao parto normal. A campanha trazia a modelo Fernanda Lima, que teve parto normal de gêmeos.

Benefícios do parto normal:

A criança respira melhor: quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. isso garante que o líquido amniótico de dentro dos seus pulmões seja expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce. sem falar que as contrações uterinas estressam o bebê – e isso está longe de ser ruim. o hormônio cortisol produzido pelo organismo infantil deixa os pulmões preparados para trabalhar a todo vapor. A cesárea, por sua vez, aumenta o risco de ocorrer o que os especialistas chamam de desconforto respiratório. Esse problema pode levar a quadros de insuficiência respiratória e até favorecer a pneumonia.

Acelera a descida do leite:
durante o trabalho de parto, o organismo da mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina, que facilitam a apojadura. no caso da cesárea eletiva, a mulher pode ser submetida à cirurgia sem o menor indício de que o bebê está pronto para nascer. Daí, o organismo talvez secrete as substâncias que deflagram a produção do leite com certo atraso – de dois a cinco dias depois do nascimento do bebê. Resumo da ópera: a criança terá de esperar para ser amamentada pela mãe.

Recuperação a jato: 48 horas após o parto normal, a nova mamãe pode ir para casa com o seu bebê. em alguns casos, para facilitar a saída da criança, os médicos realizam a episiotomia, um pequeno corte lateral na região do períneo, área situada entre a vagina e o ânus. quando isso acontece, a cicatrização geralmente leva uma semana. já quem vai de cesariana recebe alta normalmente entre 60 e 72 horas após o parto e pode levar de 30 a 40 dias para se livrar das dores.

Mais segurança: como em qualquer cirurgia, a cesárea envolve riscos de infecção e até de morte da criança. Cerca de 12% dos bebês que nascem de cesariana vão para a UTI. No parto normal, esse número cai para 3%. A sensação da cesariana é semelhante à de qualquer outra cirurgia no abdômen. É, enfim, como extrair uma porção do intestino ou operar o estômago, compara kalil. E, convenhamos, o clima de uma sala cirúrgica não é dos mais agradáveis: as máscaras dos médicos, a sedação, a dificuldade para se mexer.

Fonte:http://gazetaonline.globo.com

O diferencial da Orgonomia no trabalho com gestantes

Devo dizer que, pelo que percebo em meu dia a dia, alguns trabalhos direcionados às gestantes são quase sempre orientados por uma divisão entre explicações estéreis dos fatos, ginástica corporal, uma fala rápida sobre os aspectos emocionais que podem ser vivenciados neste período, etc. Uma hora se explica os acontecimentos, outra hora se trabalha o corpo e outra hora ainda se fala das emoções. A partir desta constatação, venho pontuar o diferencial da abordagem orgonômica em contraponto a estas outras abordagens existentes. Este diferencial se constitui no caráter global da abordagem, onde o corpo, as experiências, as emoções, a fala (…) são considerados como expressões de um só fenômeno, o ser.

 Aquela forma de trabalhar compartimentalizada desvela um pensamento de base positivista ou mecanicista da ciência que pressupõe uma separação entre mente e corpo, ou a divisão do homem que proporcionou o que hoje vemos como a extrema especialização profissional. Este pensamento sustenta uma antiga visão do ser humano, como uma máquina. Esta máquina ao apresentar problemas ou um mau funcionamento deveria ser tratada ou consertada por partes, numa atitude reducionista. Esta mesma atitude nos remete ainda (e não devemos nunca esquecer) os interesses das indústrias farmacêuticas em reforçar e manter este paradigma que norteia o pensamento Ocidental relacionado ao conceito de doença.

Ora, tal atuação deve no mínimo ser vista com estranhamento, com a possibilidade de reconhecermos as limitações dessas abordagens no mundo atual. Digo mundo atual, pois hoje muito se tem discutido sobre o que é a Ciência, o status que ela possui na sociedade e que linhas de pensamento a orientam, contextualizando politicamente, historicamente a sua prática.

A Ciência que preconiza a objetividade e a neutralidade em seu método, cujo objeto contraditoriamente é o ser humano, está cada vez mais perdendo seu reinado. É o que podemos ver nas produções de Edgar Morin, sobre o Pensamento Complexo ou nos escritos de Bertalanffy na Teoria dos Sistemas, Fritjof Capra sobre a mudança de paradigmas, etc. (para dar exemplos sem pretender esgotar a enorme lista de autores que contribuíram para essa discussão).

A Teoria Reichiana ou Orgonomia, em consonância com o novo paradigma científico, é um campo de conhecimento holístico, que considera o caráter biológico, psicológico, social e energético do homem e ao tratar o período da gestação ao puerpério se utiliza deste olhar. Portanto, o trabalho da Orgonomia com gestantes oferece uma visão global e sensível sobre um ser complexo que deve ser considerado como tal.

Este trabalho não é um mero exercício corporal nem tão pouco uma psicoterapia profunda, mas um trabalho que visa o bem estar da mulher gestante (e conseqüentemente de seu bebê) e a busca da saúde global partindo do princípio no qual mente e corpo são uma unidade funcional.

Da Psicoembriologia ao Puerpério

Em um artigo interessante que encontrei, ‘DA PSICOEMBRIOLOGIA AO PUERPÉRIO: SENSIBILIZAÇÃO À RELAÇÃO MÃE-BEBÊ’:

“A psicoembriologia estuda o comportamento e desenvolvimento evolutivo e psico-afetivo-emocional do indivíduo antes do nascimento. A falta de afeto no desenvolvimento psicológico ocasiona lesões na estrutura emocional do bebê, influenciando a sua personalidade pós-natal, conduta e comportamento. Durante a gestação a mulher sofre uma série de mudanças emocionais e físicas. O parto é a transição para a maternidade, considerado o evento mais temido. Técnicas de relaxamento e visualização diminuem o medo e tensão, que dão origem a dor. Por todas as mudanças e responsabilidades assumidas pela mulher na maternidade, algumas desenvolvem depressão pós-parto e/ou psicose puerperal, se fazendo necessário um tratamento psiquiátrico e psicoterápico. Assistência psicológica a gestante e orientação familiar, poderá minimizar as ansiedades oriundas da gravidez, facilitando a interação da díade mãe-bebê e no puerpério ajuda a mulher no processo de reestruturação psíquica a nova identidade e reelaboração do bebê imaginário para receber o real.”

Clique aqui e leia o trabalho na íntegra.

 

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